Atravessam a costa silenciosa e calmamente, como a brisa do anoitecer se assemelha e como a doce onda que circula a maré baixa pela manhã.
Como o caminhar do viajante que não tem rumo nem destino, apenas caminha. O andar da garça que encanta com o doce balançar. A árvore que renova suas folhas deixando cair todas no outono para reviver nova e exuberante na primavera.
O sol clareando pela manhã e a última gota de orvalho deixando a folha para cair na terra. O filhote da ave que com o bico aberto espera ancioso o alimento. O piscar calmo e demorado da coruja.
Ventos circulando o litoral.
Vem para um lado, volta por um novo percurso, da voltas e voltas, levanta uma folha que estava no chão. Acaricia a pele de um pensador, assanha os cabelos de um que se inquieta, enche os pulmões de um que aprecia, traz poeira para quem não valoriza.
Serão sempre ventos. Nunca serão outra coisa a não ser ventos do litoral.
By: Sostenes Pereira


