Depois de passar a manhã caminhando o menino senta num banco da praça e tenta descansar, não consegue muito pois passou horas caminhando e estava com fome, mas sentou ali e fechou os olhos por uns instantes. Não pensou em nada. Nesse instante sua mente esvaziou e ele conseguiu relaxar um pouco. Saíra de casa perto de oito da manhã, seu café tinha sido duas goiabas que encontrou numa goiabeira a beira da estrada. Ali sentado mais uma vez pôs a mão no bolso e sentiu o metal frio das moedas que trazia. Sorriu, um sorriso cansado mas sorriu e foi como uma dose de ânimo para ele criar forças e caminhar alguns metros que faltava para chegar no armazém do seu João. Três dias de trabalho pesado para apenas seus oito anos de idade, rês dias de sol causticante e mãos calejadas levando pedras em uma carroça que ele mal conseguia levantar. Findados os três dias ele expressa um sorriso porque finalmente poderia comprar seu carrinho de madeira que tanto sonhava, sorriu porque ele sendo o mais velho de seus outros três irmãos, teve a capacidade de trabalhar e conseguir o dinheiro para eles poderem brincar com seu primeiro brinquedo comprado. Era pensando nisso que o menino agora quase corria para chegar ao armazém. Finalmente chega e respira aliviado correndo os olhos por toda a loja a procura do brinquedo; encontra-o; um carrinho simples, um tanto mal acabado mas a emoção dele é muito forte, vai até o balcão pagar e para a tristeza dele escuta de seu João que ali só tem um terço da quantia do brinquedo. O menino olha para o dinheiro, para o brinquedo e para seu João, o sorriso sumiu do rosto, no olhar a luta de uma lágrima que teima em rolar pela face, a expressão de vencido toma conta de seu rosto. Faz a volta e sai do armazém abatido, cabisbaixo, mudo caminhando lentamente relembrando as horas, os dias que passou trabalhando pesado para adquirir aquele dinheiro; pensa triste no pai que passa o dia trabalhando para sustentar sua família, pensa na alegria que deixou seus irmãos ao sair de casa, pensa que não terá mais onde conseguir o restante do dinheiro para comprar o brinquedo. A lágrima finalmente cai e ele volta pra casa triste e abatido por ver seu sonho frustrado, sua esperança esmagada, sua alegria transformada em tristeza. Anos de planos, de desejos, anos pensando em como conseguir um meio de realizar seu desejo, e agora não vê mais nada. A vontade de desaparecer vem a seu pensamento e a indagação: será se nunca serei merecedor de um sonho? Será se nunca poderei desejar, almejar alguma coisa?O menino chega em casa e não quer falar com ninguém, deita em sua rede e chora amargurado. Uma decepção não é momentânea, não dura apenas instantes, dura dias, meses, talvez anos. Quando se pensa que tudo vai bem, que todas as coisas estão ficando de acordo, surge uma queda, surge uma decepção e não a ser humano que não sofra, não há pessoa alguma que não sinta a dor terrível no coração, a dor da decepção, do abandono, da angústia, da falta de carinho, de amor. Qual a solução do menino? Como toda esperança que é abalada, ele pensa que tudo acabou, que não exite mais uma solução, mas sempre no fim do túnel há uma saída e por mais difícil e dolorosa que seja a perca, a desilusão, sempre haverá uma nova opção, um novo sonho, uma nova expectativa. se um sonho foi frustrado, surgirá outro mais bonito, mais forte que será muito melhor do que o que foi perdido. Não tem porque parar de sonhar, nossos sonhos estão no coração de Deus. Sonhe e não se importe com o resultado, mesmo que demore mas ele será bom e você vai sorrir de alegria com o brinquedo em suas mãos.
By: Sostenes Pereira


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